12 de abr de 2017

CONVERSA AO PÉ DO FOGÃO

É neste sábado dia 15 de abril, que acontecerá a primeira versão do "Conversa ao Pé do Fogão", o evento é uma produção do GAMR e Fábrica de Cultura e tem o apoio da Prefeitura Municipal de Gravatá e FUNDARPE - Governo do Estado de Pernambuco.
Nessa primeira versão, contaremos com a participação dos Mestres do Cavalo Marinho de Glória de Goitá - Zé de Bibi, João Picica, Borges Lucas e Biu de Dóia.
Enquanto os mestres conversam, a gente come tapioca e toma um delicioso café. 
A festa termina com as bandas "Tradicional Pífanos do GAMR, Mestre Librina e Triplíce Mistério de Caruaru".
Tudo começa às 15h e vai até... terminar!
Venha, a entrada é gratuita e vai acontecer no Terreiro da Casa de Taipa do GAMR, na Rua do Cruzeiro, 421.
Teremos também feirinha de artesanato e exposição fotográfica.
Mais informações: Falar com Edson ou Maciel nos telefones (81) 9.9616-5275 (Tim e WhatSap) e 81 9.9312-3220 (Claro).

1 de mar de 2017

Banda Mestre Librina: Cultura e Som Nordestino

Primeiro CD da Banda Mestre Librina (Em breve disponibilizaremos para download)

As bandas de pífanos sempre foram em todas as cidades do interior do Nordeste uma das mais tradicionais referências musicais. Em Gravatá, o pífano escreveu a sua história através de Sebastião Librina, que morreu no anonimato não deixando herdeiros do seu ofício. 
Em 2002, o grupo de meninos que fazem parte do Grupo de Apoio de Meninos de Rua - GAMR, resolveu resgatar as tradições do pífano do velho mestre e criaram a Banda Mestre Librina. Com os meninos, os sons do velho pífano ganharam uma nova roupagem, com vozes, rabeca, e uma cantoria, que narra em cordel à perspicácia e sagacidade do povo nordestino. 
Através de performances originais e ritmos tradicionais como a mazuca, ciranda, xaxado, coco, afoxé, caboclinho, frevo, os meninos encantam e envolvem suas platéias em festas profanas ou religiosas. Suas apresentações terminam sempre com uma ciranda, que reúne a platéia numa grande roda, cuja simbologia é a união de todas as classes, raças e credos como forma de democratização da cultura popular. 


A banda Mestre Librina utiliza além do pífano, rabeca, caixa, zabumba, pandeiro, ganzá, alfaia, triângulo, agogôs, contra-baixo e guitarra. 
A banda é composta por: 
  • Maciel – Voz principal, pífano e rabeca 
  • Márcio – Caixa, chimbal, surdo, alfaia, pratos, efeitos e beck 
  • Wellington - Guitarra, violão eletrico, contra-baixo e beck
  • Joyce  – Zabumba, timbale, triângulo, pandeiro, e bec
  • Thiago – Conga, pandeiro, timbal, elú e beck 
  •  Edson – Produtor cultural
  •  Milton – Roadie e motorista
          • 04 - Brincantes  
Assista apresentação da Banda Mestre Librina

24 de fev de 2017

Projeto Passos para o Futuro no GAMR


Como tudo começou...


Estava assistindo uma aula de Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT), ministrada pela Professora Joyce Beltrão, em que se debatia o empreendedorismo no ramo da Psicologia, quando me surgiu a ideia de criar um projeto de impacto social. Ao sair da aula fiquei pensando como estruturar o projeto, qual público-alvo seria destinado as atividades e de que forma eu poderia conseguir implantar as ideias e formalizá-las de modo concreto. 
Até então tudo parecia confuso, mas eu estava entusiasmado e determinado para dar início no que mais tarde viria se chamar "Passos para o Futuro". Fazia pouco tempo que eu tinha sido despedido de uma empresa de distribuição de alimentos, passava maior parte do tempo em casa estudando ou assistindo TV, mas já estava cansado de viver no limbo do desemprego. No real, eu estava me acomodando, na zona de conforto, sem muitas expectativas, buscando culpar o universo pelas minhas frustrações. 

14 de fev de 2017

GAMR - UM POUCO DA HISTÓRIA


ANIVERSÁRIO DO GAMR

Não é que o GAMR, tenha nascido no dia 08 de agosto de 1991, mas foi exatamente nesta data, que a Entidade foi registrada oficialmente na Receita Federal. O trabalho com os meninos, teve inicio cerca de dois anos antes, só que na informalidade. Lembro que pegamos o Diário Oficial de Pernambuco, onde constava que a Entidade já estava devidamente registrada em Cartório e por tanto, apta a ganhar Personalidade Jurídica.
Por ironia do destino, foi nesse mesmo dia, que recebemos a notícia que não podíamos mais ficar no Centro Social Urbano – CSU  ( Espaço Público do Governo de Pernambuco, onde tudo começou), pois a nova Coordenação, não reconhecia o trabalho, do ainda informal Grupo de Apoio aos Meninos de Rua.
Foi um misto de dor (pela expulsão) e de alegria pelo registro. Lembro que saí no carro com Axel Estrozner, um voluntário do Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social – SACTES/DED, que nos ajudava com o processo de implantação de tecnologias sociais. Tínhamos ainda meia hora para chegar em Vitória de Santo Antão, cidade distante de Gravatá em cerca de 35km, e, chegamos em menos de 15 minutos, conseguindo neste dia 08 de agosto de 1991, o tão cobiçado pedaço de papel, que era na verdade e tão somente, o CPF da Entidade.

Isso não foi suficiente para abrandar o coração dos que coordenavam o CSU, e o pior, não tivemos nem o direito de pegar o que era nosso. Assim, ficamos nas praças de Gravatá, até conseguir um novo lar, o que não demorou pra acontecer, pois em menos de uma semana, recebemos uma casa abandonada, de um dos herdeiros que nos autorizava a fazer as reformas necessárias e lá permanecer por cerca de três anos, tudo descrito num contrato de locação.
Só que o destino, aprontou mais uma e depois de uma semana trabalhando dias e noites, uma outra herdeira insatisfeita, conversou com os vizinhos, que esse trabalho com meninos de rua, iria desvalorizar seus imóveis, além do perigo em ter adolescentes em conflito com a lei, tão próximos. E essa vizinhança enfurecida, guiada pelo ódio, em poucos minutos derrubaram a casa, e também nossos sonhos.

Dois terríveis baques em menos de um mês; Primeiro a expulsão do CSU, que nos tirou não só, o teto com o espaço apropriado para o trabalho, como também o salário. Até então, a equipe que trabalhava com os meninos, tinha uma remuneração, que era pouco, mas garantia pelo menos, a estabilidade emocional necessária para desempenhar um trabalho tão complexo com meninos de vivência de rua, e logo depois, a casa destruída.
Mas acredito que o universo conspira e nessa mesma época, o alemão Axel voltou para a Alemanha e lá, junto com sua mãe, que dirigia uma escola, fez uma campanha, arrecadando dinheiro suficiente para a compra de uma pequena casa na Rua do Cruzeiro, nº 421, onde estamos até hoje.
Em janeiro de 1992, ainda com a cabeça raspada por ter passado no vestibular de Direito, iniciamos uma nova etapa, onde o sonho era construído coletivamente.

Ficamos por cerca de dez anos, trabalhando e nos capacitando e nos preparando na verdade, pois era preciso um tempo, para mostrar a cidade de Gravatá, que queríamos muito mais que um saudável passatempo para esses meninos e meninas. Muita gente achava que o GAMR nem existia mais, porém tudo fazia parte de uma estratégia de sobrevivência, não queríamos mais ser surpreendidos, pelo contrário, dessa vez, nós é que surpreendemos a sociedade de Gravatá, com muita música, dança e teatro e o melhor, com aqueles mesmos meninos que foram tão excluídos. Não se tratava de um revanche, não... Era apenas uma estratégia de sobrevivência.


E nessa estratégia, chegamos aos vinte e cinco anos de existência, onde tivemos um pouco de tudo, muita tristeza e luto por mortes de meninos, quase sempre assassinados, na flor da juventude, muita alegria em ver tantos meninos e meninas seguirem seus caminhos com dignidade e sonhando sempre.

Aqui, prestamos nossas homenagens ao pioneiro, que lá pelos finais dos anos oitenta, deram a sua contribuição, são eles: Dona Alzira, Iraci Mendes e Letícia - in memória - Seu Zé, Rosa, Nina, Severina, Cleide Florentino, Vera Lúcia, Cecé, Nequinho, Sueli, Cleide, Ilza, Ceça, Edson, Axel, Amélia, Robertinho, Cacilda, Adilson, Socorrinho. Inicio dos anos noventa: Deise, Nalva, Lima, Mauriceia, Marconi, Rodolfo, Sueli; Metade dos anos 90: Mauricio, Maciel, Claúdio, Lindo, Milton, Dinho, Meury Kelme, Nete, Salvani, Finha, Fabinho, Dona Lindalva, Flavinha, Nerisvaldo, Toinho, Jaqueline, João Neto, Ieda Marques, Janaina, Jaqueline...


A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo. Nelson Mandela